terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Educar é viver
Educar não tem nada a ver com dinheiro. A vontade de investigar, de descobrir, de aprender (quando existe) independe das condições de infraestrutura, tem muito mais a ver com a Relação estabelecida entre pessoas (que nem sempre são professor e aluno). Mas estudar em nossa sociedade virou simplesmente uma questão mercadológica, para fazer um vestibular que exige mais memória e repetição do que criticidade e criatividade.
Estudar para aprender algo que alguém há muito tempo atrás disse que era necessário saber, desconsiderando os desejos, demandas e descobertas atuais, vai fazer sentido para quem? Pode até ser que existam coisas que todos nós devemos saber, mas o que sempre me quis fazer estudar não tem nada a ver com o que estava determinado previamente nos livros...
Dinheiro pra educação já não falta a algum tempo, não é com o Pré-Sal que as coisas vão mudar...
É preciso redescobrir o prazer que existe em descobrir o mundo que nos cerca. É preciso que as nossas diferenças (de história, de vida, de jeito de ser, de curiosidade, de potência) possam ser colocadas nas relações que tivermos, para que assim, nos tornemos ainda mais complexos... É preciso parar de nos colocarmos como vítimas e assumirmos as rédeas da nossa história, das nossas escolhas, da nossa profissão... Exercê-la não só como forma de garantir nosso sustento, mas considerando-nos parte do funcionamento da nossa sociedade (o difícil é que, na maioria dos casos, terminamos atuando não para garantir um bom funcionamento social, mas para alimentar os bolsos de uns poucos que se apropriam do que temos mais belo enquanto humanos: a capacidade de transformação do nosso meio, o nosso trabalho... E, dado o caráter inesgotável na busca por lucros pessoais, destrói a nossa vida e a natureza que nos dá a vida).
Não adianta colocar mais dinheiro na educação se ela continuar servindo apenas como prévia a um trabalho que tem o lucro (dos outros) como único sentido...
Acho sim, que educar tem relação com o direito à vida, de todos nós, e ai sim, acredito que a segurança está intrinsecamente ligada à educação. A segurança de nos reconhecermos como iguais e não como ameaça. A segurança de poder ir e vir. A segurança de ter onde morar, o que comer, de ser saudável e de ter boas relações. A segurança de poder descobrir e exercer o que se tem habilidade e o que se gosta de fazer.
Ai sim, a vida volta a ter sentido de ser vivida e reacende-se o desejo de que seja conhecida, descoberta e transformada.
Estudar para aprender algo que alguém há muito tempo atrás disse que era necessário saber, desconsiderando os desejos, demandas e descobertas atuais, vai fazer sentido para quem? Pode até ser que existam coisas que todos nós devemos saber, mas o que sempre me quis fazer estudar não tem nada a ver com o que estava determinado previamente nos livros...
Dinheiro pra educação já não falta a algum tempo, não é com o Pré-Sal que as coisas vão mudar...
É preciso redescobrir o prazer que existe em descobrir o mundo que nos cerca. É preciso que as nossas diferenças (de história, de vida, de jeito de ser, de curiosidade, de potência) possam ser colocadas nas relações que tivermos, para que assim, nos tornemos ainda mais complexos... É preciso parar de nos colocarmos como vítimas e assumirmos as rédeas da nossa história, das nossas escolhas, da nossa profissão... Exercê-la não só como forma de garantir nosso sustento, mas considerando-nos parte do funcionamento da nossa sociedade (o difícil é que, na maioria dos casos, terminamos atuando não para garantir um bom funcionamento social, mas para alimentar os bolsos de uns poucos que se apropriam do que temos mais belo enquanto humanos: a capacidade de transformação do nosso meio, o nosso trabalho... E, dado o caráter inesgotável na busca por lucros pessoais, destrói a nossa vida e a natureza que nos dá a vida).
Não adianta colocar mais dinheiro na educação se ela continuar servindo apenas como prévia a um trabalho que tem o lucro (dos outros) como único sentido...
Acho sim, que educar tem relação com o direito à vida, de todos nós, e ai sim, acredito que a segurança está intrinsecamente ligada à educação. A segurança de nos reconhecermos como iguais e não como ameaça. A segurança de poder ir e vir. A segurança de ter onde morar, o que comer, de ser saudável e de ter boas relações. A segurança de poder descobrir e exercer o que se tem habilidade e o que se gosta de fazer.
Ai sim, a vida volta a ter sentido de ser vivida e reacende-se o desejo de que seja conhecida, descoberta e transformada.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Elocubrações desta vida...
A busca de sentido na
vida, grande questão existencial desde que o mundo é mundo e que
existem pessoas nele, encontrou no consumo um grande aliado: a
necessidade de sempre conquistar algo que ainda não se tem, tira a
nossa atenção do que somos ou, pior, do que podemos ser. Uma vez
que surgem coisas novas, mais modernas, mais bonitas, com mais status
a cada dia, o processo de
esvaziar-se e de encher-se, mesmo que temporários, constituem ciclos
tão rápidos e constantes quanto os movimentos de rotação e
translação que a gente até esquece que existem, mas seguimos
vivendo, sem pensar, enquanto eles acontecem. O desenvolvimento da
ciência e da tecnologia transformaram o temor às forças naturais
numa sensação irreal de controle e de negação da morte. Mas,
coisas inexplicáveis, sem sentido e incontroláveis, continuam
sempre a acontecer, mesmo que tenha havido cada vez mais um
deslocamento dessas forças ocultas do vento ou do mar, para a ira ou
a indiferença que fazem que, nós mesmos, sejamos os responsáveis
pela perda da vida ou pela vida mal vivida, nossa e dos outros.
Quando
conquistamos carros melhores, casas maiores, ipods, ipads, iphones,
roupas de grife, jóias, por que achamos que somos ou que os outros
são melhores? Veja, a questão não é se essas coisas são
importantes ou não, se devemos tê-las ou não, nem questiono o
desenvolvimento científico que permite que tenhamos objetos que nos
oferecem mais conforto, mais beleza, ou qualquer coisa que o valha...
A questão que coloco é: por que a posse nos faz sentir superior aos
demais, ou superior a nós mesmos numa época anterior de não-posse?
Infelizmente, isso não tem a ver apenas com a sociedade capitalista
consumista atual, ter
é e já foi sinônimo de poder em diversas culturas, em diversos
tempos históricos... Mas, isso se potencializa nos dias atuais em
nossa sociedade uma vez que não há, teoricamente, um impedimento
intrínseco, como houve por castas ou por sangue, que nos impeça de
também conseguirmos ter: se
você trabalhar, se esforçar, ou então, roubar, matar, ludibriar,
falsificar, enganar, é possível ter
exatamente os mesmos produtos que sinalizam o seu status,
que lhe fazem ter poder.
Enquanto
isso, o poder de consumo do nosso país aumentou. Mas aumentou
igualmente o número de crimes, de pessoas presas e de presídios...
As escolas esvaziadas... Pais que exigem que as escolas cuidem e
criem suas crianças pois estão muito ocupados buscando formas de
ter... Escolas exigindo dos pais os limites da educação,
antes doméstica, que está faltando nessas crianças... Adolescentes
que devem ser punidos pois já sabem o que fazem... Idosos
isolados pois suas famílias estão muito ocupadas para estar com
eles...
O
mais próximo que estamos de nós mesmos é do nosso físico: dos
regimes e malhação para que tenhamos corpos perfeitos, ou para
vivermos com a sensação de inferioridade por não tê-los... Que
bom descobrir quais alimentos nos são necessários e saudáveis, que
bom desenvolver os músculos que nos dão firmeza e protegem os
nossos ossos. Que bom seria se a busca pela saúde na academia não
fosse apenas para aqueles que receberam uma recomendação médica...
E
então, entre um consumo e outro, alguém morre. Alguém adoece.
Alguém te trai. Você fica desempregado. Você é assaltado. Todos
os seus amigos casam, menos você. Seus amigos tem filhos, e você
não tem nem namorada. Ou você tem carro, casa, emprego, iphone,
família, mas sente um vazio que não sabe explicar, e que nada
preenche. Seu cabelo não é liso. Um belo dia de sol e você queria
ir na praia, mas não é domingo. Seu melhor amigo morre, mas como é
amigo e não parente, você não é liberado do trabalho para ir no
seu enterro. Mas ele já morreu mesmo, pra que ir?
Pra
que viver? Pra quem trabalhar? Por que não questionamos a lógica do
mundo ou, mesmo quando questionamos, nos conformamos com a ilusão da
impossibilidade de ser diferente?
Por
que a sensação de que podemos conseguir ter se nos
esforçarmos, se trabalharmos, se roubarmos, é tão importante,
mesmo que não possamos sair na rua andando às dez da noite, mesmo
que não tenhamos tempo para sorrir, para visitar um amigo, para ler
um livro, para brincar com seu filho ou cuidar da sua avó?
Por
que mesmo com tantas afirmações de valores éticos, de amizade, de
direitos, haja vista todas as belas frases que compartilhamos no
facebook, o nosso sentimento de falta, de que alguém nos deve
alguma coisa, que o governo nos deve alguma coisa, de que nós já
nos esforçamos demais, e estamos cansados, estamos sós, somos muito
pequenos diante do sistema, nos retira aquilo que temos de mais real,
de mais precioso, que é a nossa possibilidade de ser?
domingo, 14 de abril de 2013
Morrer
Sofrer
Entristecer
Perder
Envelhecer
Mudar
Lutar
Crescer
Nascer
Morrer
Morrer
Descobrir
Desexistir
Acabar
Terminar
Voltar
Ir
Para onde?
Viver
Para quê?
A consciência
que nos diferencia
nos aprisiona
A folha não pergunta porque cai
O mar não pergunta porque vem
e vai
A nuvem não sabe porque ora sombreia
ora esvazia
Sentidos
Necessidade de senti-los
de tê-los
Significados
que na sua ausência
esvaziam
A folha, o mar, a nuvem
as vacas, as lagartas os pássaros
O sol, o vento, os peixes
Vem e vão
como e com a lua
Amar
uma meta
muitos sentidos
Crescer junto
Estar junto
Ser junto
Nasci
para viver enquanto houver vida
Para amar
enquanto houver presença
Para estar
enquanto respirar
Sofrer
Entristecer
Perder
Envelhecer
Mudar
Lutar
Crescer
Nascer
Morrer
Morrer
Descobrir
Desexistir
Acabar
Terminar
Voltar
Ir
Para onde?
Viver
Para quê?
A consciência
que nos diferencia
nos aprisiona
A folha não pergunta porque cai
O mar não pergunta porque vem
e vai
A nuvem não sabe porque ora sombreia
ora esvazia
Sentidos
Necessidade de senti-los
de tê-los
Significados
que na sua ausência
esvaziam
A folha, o mar, a nuvem
as vacas, as lagartas os pássaros
O sol, o vento, os peixes
Vem e vão
como e com a lua
Amar
uma meta
muitos sentidos
Crescer junto
Estar junto
Ser junto
Nasci
para viver enquanto houver vida
Para amar
enquanto houver presença
Para estar
enquanto respirar
domingo, 2 de dezembro de 2012
O amor Na minha vida
Quem inventou essa
história de que o “amor da minha vida” é o único amor
verdadeiro?
Só porque alguns dos
nossos amores não tiveram continuidade, significa que eles eram
falsos?
Quem disse que
encontrar o “amor da minha vida” me fará eternamente feliz?
O que diabos é “amor
da minha vida”?
O que é mesmo amor?
Somente estar casado
com alguém por toda a vida significa que este é o amor da sua vida?
E ter vivido com alguém
um sentimento, momentos únicos, momentos de plenitude, em que o
tempo pára, em que a sintonia é perfeita, mesmo que por um
instante, o que é?
E ter momentos de
diferenças, dúvidas, com a pessoa que você está, significa que
não é amor verdadeiro?
Pessoas fazem loucuras
em nome do amor verdadeiro...
Pessoas sofrem
tristezas profundas e fazem sofrer ao perder o amor verdadeiro...
Pessoas vivem infelizes
porque ainda não encontraram o amor verdadeiro...
Em prol do amor, as
vezes se deixa de amar...
Amor e amar...
Sentimento e verbo...
Assim como a teoria e a
ação, nem sempre um reflete-se no outro
Alguns amores se tornam
tão maiores que nós...
Alguns amores nos
tornam tão maiores do que éramos...
Se ao invés de
procurar o amor da vida (um conceito inventado, que não
contempla a diversidade de possibilidades de relações afetivas, mas
entendido por muitos como o grande ideal, o grande objetivo)
vivêssemos sempre o amor na vida, não seríamos todos mais
felizes (e poderiamos chegar ao fim da vida e dizer que sim, não só
tivemos, mas doamos e, assim, fomos amor)?
Não é encontrar alguém que nos fará eternamente felizes... Isso não se conquista antecipadamente para a eternidade. Eternizamos-nos e à nossa felicidade quando nos encontramos a cada dia, quando vivemos o amor a cada dia e, assim, mais do que o "amor da nossa vida", um sujeito indefinido, teremos vivido o amor na nossa vida, com plenitude, inteireza e a multiplicidade que só o amor comporta.
Não é encontrar alguém que nos fará eternamente felizes... Isso não se conquista antecipadamente para a eternidade. Eternizamos-nos e à nossa felicidade quando nos encontramos a cada dia, quando vivemos o amor a cada dia e, assim, mais do que o "amor da nossa vida", um sujeito indefinido, teremos vivido o amor na nossa vida, com plenitude, inteireza e a multiplicidade que só o amor comporta.
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A
vida tem momentos de calmaria, momentos em que as coisas fluem num
movimento contínuo e crescente. Mas, a vida é, acima de tudo,
cíclica. Tudo o que é, um dia nasceu e um dia há de ir. O
crescimento, a tomada de consciência, nos coloca um dos maiores
desafios: escolher mudar. Chega um ponto no nosso caminho em que,
para avançar, é preciso romper com antigos padrões. A tomada de
consciência exige a tomada de decisões sob o risco de, se estas não
acontecem, o que era movimento crescente se transforma em paralisia.
As grandes mudanças, as grandes passagens de Ciclo, geralmente são
precedidas de um pouco de instabilidade, confusão, tudo fica um
pouco fora do lugar. O que manter dos antigos padrões? Do que
precisamos nos desapegar? Teremos coragem de nos desapegar? Se a vida
fosse maniqueísta, o bom totalmente bom, o mal totalmente mal, fazer
escolhas seria muito simples. O desafio vem exatamente de que, a cada
escolha, se ganha e se perde algo. A incerteza do que virá a partir
de uma escolha, a previsão de um sofrimento seu ou de outrem,
reacende os aspectos positivos já conhecidos e encobre aqueles que
impulsionam a mudança. E então, duas opções: coragem pra enfrentar o desconhecido, com a esperança de que também há felicidade para além do arco-íris. Ou medo. Apego. E a acomodação se instala. E o incômodo
volta. E a escolha terá que pedir mais uma vez para ser escolhida.
África em mim
Sol que brilha forte
como o coração que pulsa
Céu que envolve
com seu manto azul
seus filhos
sua terra
suas dores
Que compartilha suas cores
colore seus sorrisos
e cintila seus olhares
Terra que esconde
seus tesouros
sob e sobre a terra
Animais gigantes
em tamanho, beleza, impacto
Homens gigantes,
em sorrisos, simplicidade, poder
De dar, de retirar
Homens daqui
Homens de lá
Que dão sem querer em troca
Que tiram, esvaziam, sem deixar nada em volta
Os daqui e os de lá
A humanidade que ora nos embevece,
ora amedronta e espanta
Ciclos que se renovam a cada dia
dentro e fora de nós
A vida e a morte presentes
em muitos lugares
Em novos lugares
dentro de mim
Cada dia, um dia
Cada lua
(imensa, dourada, vermelha)
uma lua
Cada dor, uma dor
(Mesmo quando há muitas)
Cada sorriso,
uma imensidão
Em cada olhar,
a profundeza do mar da vida
Cada encontro
mais de um encontro
É a tradição
Voltaremos a nos encontrar
Seja aqui ou do lado de lá
Uma experiência
Milhares de vivências
O encontro de muitos eus
e outros
A descoberta de novos nós
Um coração que bate mais sereno e
ao mesmo tempo
que impulsiona a andar sempre
A continuar
a ser, a fazer, a estar
neste mundo
em qualquer lugar
inteira, presente, atuante
Porque há muitos corações que pulsam
há muitos corpos que dançam
pés que batem firme
Porque o tempo,
o tempo não espera
Porque o sol
é o mesmo,
mas se põe diferente a cada dia
como o coração que pulsa
Céu que envolve
com seu manto azul
seus filhos
sua terra
suas dores
Que compartilha suas cores
colore seus sorrisos
e cintila seus olhares
Terra que esconde
seus tesouros
sob e sobre a terra
Animais gigantes
em tamanho, beleza, impacto
Homens gigantes,
em sorrisos, simplicidade, poder
De dar, de retirar
Homens daqui
Homens de lá
Que dão sem querer em troca
Que tiram, esvaziam, sem deixar nada em volta
Os daqui e os de lá
A humanidade que ora nos embevece,
ora amedronta e espanta
Ciclos que se renovam a cada dia
dentro e fora de nós
A vida e a morte presentes
em muitos lugares
Em novos lugares
dentro de mim
Cada dia, um dia
Cada lua
(imensa, dourada, vermelha)
uma lua
Cada dor, uma dor
(Mesmo quando há muitas)
Cada sorriso,
uma imensidão
Em cada olhar,
a profundeza do mar da vida
Cada encontro
mais de um encontro
É a tradição
Voltaremos a nos encontrar
Seja aqui ou do lado de lá
Uma experiência
Milhares de vivências
O encontro de muitos eus
e outros
A descoberta de novos nós
Um coração que bate mais sereno e
ao mesmo tempo
que impulsiona a andar sempre
A continuar
a ser, a fazer, a estar
neste mundo
em qualquer lugar
inteira, presente, atuante
Porque há muitos corações que pulsam
há muitos corpos que dançam
pés que batem firme
Porque o tempo,
o tempo não espera
Porque o sol
é o mesmo,
mas se põe diferente a cada dia
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